Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

Autor do Mês - março 2025

BIOGRAFIA

Este ano comemora-se o bicentenário de Camilo Castelo Branco, que nasceu em Lisboa, a 16 de março de 1825, e se suicidou no dia 01 de junho de 1890, em casa, em S. Miguel de Seide (Famalicão).

Na vida de Camilo, por muitos considerado o primeiro romancista português, autor de uma obra vastíssima e de tipologia vária, da qual sobressai o romance «Amor de perdição», o trágico mistura-se com o romanesco, o sério com o burlesco, a honradez com a ligeireza moral e o sentido do religioso vê-se permanentemente em conflito com a descrença e até com a blasfémia, uma capacidade de observação em permanente e atento exercício sobre o seu próprio mundo e o mundo que o rodeia, uma imaginação que não conhece limites nem restrições, uma irrequieta instabilidade psicológica, a volubilidade sentimental filha do seu temperamento romântico e a sua constante rebeldia de carácter, definem a perspetiva através da qual criou o mundo ficcional de toda a sua obra, enquadrado pela paisagem das províncias nortenhas do Minho e de Trás-os-Montes, com os seus ambientes rurais ou provincianos, tendo por centro o meio mais desenvolvido do Porto, onde se agita toda uma sociedade em constante e profundo conflito travado, bem à maneira romântica, entre os interesses materiais da realidade e as exigências da sensibilidade e do ideal.

BIOGRAFIA

Estimulado pelo sogro, pensa formar-se em Medicina e matricula-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, que frequenta de 1842 a 1845. Em 1846, porém, já está em Coimbra, provavelmente para estudar Direito, curso que nem sequer iniciou. Volta a Vila Real, mas, a partir de 1848, fixa-se no Porto, decidido a ganhar a vida como jornalista. Num momento de fugaz exaltação religiosa, matricula-se no Seminário daquela diocese com a intenção de se ordenar (1850), mas a pretensa vocação apagava-se escassos meses depois. Logo retoma a vida aventurosa de estroina «leão» romântico, dividida entre os cafés, os teatros, os salões da burguesia portuense de fresca data e as redações dos jornais. É neste período que conhece Ana Augusta Plácido, casada com o comerciante regressado do Brasil, Manuel Pinheiro Alves, fazendo dela o objeto de uma desordenada paixão romântica. Seduzida e igualmente apaixonada, Ana abandona o marido e foge com Camilo para Lisboa.

Conhecido o escândalo, a esposa adúltera é posta em reclusão no Convento da Conceição de Braga (julho de 1859), mas, ao fim de pouco mais de um mês foge, retomando a convivência com Camilo. Instaurado o processo por adultério, é presa na Cadeia da Relação do Porto e Camilo, depois de vaguear pelo Minho e Trás-os-Montes, ali se entrega, também, a 1.10.1859. Absolvidos, vão viver para Lisboa, onde lhes nasceria o filho Jorge (28.6.1863), até que, em 1864, falecido Pinheiro Alves (15.7.1863), se instalam em São Miguel de Ceide na casa que lhe pertencera e passara por herança a Manuel Plácido, seu pretenso filho, mas, ao que tudo leva a crer, filho de Camilo. Com uma família a sustentar (o filho Nuno nascerá nesse mesmo ano de 1864) e sem outros recursos além dos do seu trabalho, Camilo faz da pena o ganha-pão único numa ansiosa e febril necessidade de escrever para viver. Assim lhe vão decorrer os últimos 25 anos de vida, numa casa triste, cercada de paisagem triste. O destino dos filhos adensa-lhe sobre a alma nuvens negras de funestos presságios: Manuel, após uma falhada aventura comercial em Angola, entrega-se aos excessos de uma vida de boémia e morre prematuramente, a 17.9.1877; Nuno segue-lhe o exemplo, numa sucessão ininterrupta de aventuras, jogo e degradação a que nem um casamento de escândalo, patrocinado pelo pai, consegue pôr termo; Jorge, que começara desde cedo a dar inequívocos sinais de perturbação mental, mergulhava pouco a pouco num estado de demência irrecuperável.

Em 1858, por proposta de Alexandre Herculano, Camilo é eleito para a Academia das Ciências e, em 18.6.1885, é agraciado por D. Luís com o título de visconde de Correia Botelho. As honrarias, porém, longe de lhe afagarem a vaidade, apenas podiam dar-lhe a vaga esperança de acautelar para a família um futuro menos ameaçado de indigência. E é talvez por isso que concorda em regularizar a sua situação conjugal com Ana Plácido. A 9.3.1888, quando há muito se apagara o encanto e o fogo romântico daquela ligação amorosa nos atritos mesquinhos de um quotidiano onde a poesia dera progressivo lugar à tragédia, celebra-se finalmente o casamento.

Atormentado pela doença, mergulhado em insanável tristeza, contra a qual apenas reage com a lâmina fina da ironia ou o látego terrível do sarcasmo, joguete permanente da sua alucinante instabilidade psíquica, ameaçado pela cegueira, julgando caminhar para a loucura que a tradição da família dava como estigma fatal de muitos dos seus, Camilo afunda-se no pessimismo e arrasta penosamente a cruz da sua expiação até que, vencido, se suicida, no dia 01 de junho de 1890, em casa, em São Miguel de Seide.

 

Bibliografia

· Anátema (1851)

· Mistérios de Lisboa (1854)

· A Filha do Arcediago (1854)

· Livro negro do Padre Dinis (1855)

· A Neta do Arcediago (1856) 

· Onde Está a Felicidade? (1856)

· Um Homem de Brios (1856)

· O Sarcófago de Inês (1856)

· Lágrimas Abençoadas (1857) 

· Cenas da Foz (1857) 

· nine das nitez (1858) 

· Vingança (1858)

· O Morgado de Fafe em Lisboa (Teatro, 1861)

· Doze Casamentos Felizes (1861)

· O Romance de um Homem Rico (1861)

· As Três Irmãs (1862)

· Amor de Perdição (1862) 

· Memórias do Carcere (1862)

· Coisas Espantosas (1862)

· Coração, Cabeça e Estômago (1862)

· Estrelas Funestas (1862) 

· Cenas Contemporâneas (1862) 

· Anos de Prosa (1863) 

· Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (1863)

· O Bem e o Mal (1863)

· Estrelas Propícias (1863) 

· Memórias de Guilherme do Amaral (1863)

· Agulha em Palheiro (1863)

· Noites de Lamego (1863)

· Amor de Salvação (1864) 

· A Filha do Doutor Negro (1864)

· Vinte Horas de Liteira (1864)

· O Esqueleto (1865)

· A Sereia (1865)

· A Enjeitada (1866)

· O Judeu (1866)

· O Olho de Vidro (1866) 

· A Queda dum Anjo (1866) 

· O Santo da Montanha (1866)

· A Bruxa do Monte Córdova (1867)

· A doida do Candal (1867)

· O Senhor do Paço de Ninães (1867)

· Os Mistérios de Fafe (1868)

· O Retrato de Ricardina (1868)

· Os Brilhantes do Brasileiro (1869)

· A Mulher Fatal (1870)

· Livro de Consolação (1872)

· O Carrasco de Victor Hugo José Alves (1872) 

· A Freira no Subterrâneo (1872)

· O Regicida (1874) 

· A Filha do Regicida (1875)

· Maria Moisés (1876-1877)

· A Caveira da Mártir (1876) 

· Novelas do Minho (1875-1877) 

· A viúva do enforcado (1877) 

· Eusébio Macário (1879)

· A Corja (1880)

· A senhora Rattazzi (1880) 

· A Brasileira de Prazins (1882)

· O Assassino de Macario 

· D. Antonio Alves Martins: bispo de Vizeu 

· Folhas Caídas 

· O General Carlos Ribeiro

· Luiz de Camões 

· Sá de Miranda 

· Salve, Rei! 

· Suicida ( 

· O vinho do Porto (1884) 

· Maria da Fonte (1885)

· Vulcões de Lama (1886)

· Voltareis ó Cristo? 

· Theatro comico: A Morgadinha de Val d'Amores; Entre a flauta e a Viola 

· A espada de Alexandre 

· O Condemnado: drama / Como os anjos se vingam: drama 

· Nas Trevas: Sonetos sentimentaes e humoristicos

· O clero e o sr. Alexandre Herculano (1850)

 

Fonte: http://www.camilocastelobranco.org/

Imprimir
17
Please login or register to post comments.