Lídia Jorge Autor do Mês - junho 2024 BIOGRAFIA Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia Jorge, uma das escritoras portuguesas mais prestigiadas e premiadas da sua geração, nasceu em Boliqueime, no dia 18 de junho de 1946. Lídia Guerreiro Jorge é Licenciada em Filologia Românica, foi professora liceal em Lisboa e em África – Angola e Moçambique – para onde partiu em 1970. Ali viveu o marcante ambiente da Guerra Colonial que, mais tarde, descreveria no romance A Costa dos Murmúrios através da perspetiva de uma personagem feminina, a mulher de um oficial do exército português de serviço em Moçambique. De regresso a Lisboa continuou a atividade docente e, em 1980, publicou o romance O Dia dos Prodígios, que lhe valeu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa. Esta sua primeira obra publicada deve um impulso à revolução de Abril de 1974: O Dia dos Prodígios constrói-se como uma alegoria do país fechado e parado que Portugal era sob a ditadura, permanentemente à espera de uma força que o transformasse. O romance teve grande impacto junto do público e da crítica e Lídia Jorge foi, de imediato, saudada como uma das mais importantes revelações das letras portuguesas e uma renovadora do nosso imaginário romanesco. A linguagem narrativa deste romance e do seguinte – O Cais das Merendas – remete para a atmosfera do realismo mágico, sobrepondo vários planos narrativos numa estrutura polifónica de onde se destacam personagens que adquirem uma dimensão metafórica, ou mesmo mítica. A autora tem, entretanto, vindo a adotar um tom mais realista, nomeadamente em O Jardim sem Limites, onde à pequena aldeia de Vilamaninhos, que simbolizava no seu primeiro romance o Portugal pequenino e arcaico, se substitui Lisboa, a metrópole europeia onde se cruzam todas as influências e se rarefazem identidades e territórios. Nos romances de Lídia Jorge, a condição sociocultural das personagens, sobretudo as femininas, reflete-se em diálogos e testemunhos a que não são alheios a atenção que a autora dispensa à tradição oral, em relação direta com a crónica da nossa história recente, antes e depois da revolução do 25 de abril. A sua peça para teatro (A Maçon) procura um tempo mais remoto, os primeiros anos da ditadura, para retratar a condição feminina imposta pela ideologia do Estado Novo e a perda de liberdades (também) por parte das mulheres. A par da atividade literária, Lídia Jorge foi professora convidada da Faculdade de Letras de Lisboa, atividade que interrompeu para desempenhar funções na Alta Autoridade para a Comunicação Social, entre 1990 e 1994. Os seus livros têm-lhe merecido variadíssimos prémios e estão traduzidos para diversas línguas, como alemão, galego, búlgaro, castelhano, esloveno, grego, francês, hebraico, húngaro, italiano, holandês, romeno, sueco e inglês, entre outras. Bibliografia Ativa O dia dos prodígios (romance), 1980 ; 2010 O Cais das Merendas (romance), 1982 ; 2002 Notícia da Cidade Silvestre (romance), 1984 ; 1994 A Costa dos Murmúrios (romance), 1988 ; 2002 A Instrumentalina (conto), 1992 ; 2002 A Última Dona (romance), 1992 O Conto do Nadador, 1992 O Jardim sem Limites (romance), 1995 ; 2002 A Maçon (teatro), 1997 Marido e outros contos (contos), 1997 ; 2002 O vale da paixão (romance), 1998 ; 2001 Doze Histórias de Mulheres (contos) (em colaboração com vários), 1999 O vento assobiando nas gruas (romance), 2002 ; 2007 O Belo Adormecido (contos), 2004 Combateremos a sombra (romance), 2007 O grande voo do pardal (infantil), 2007 Praça de Londres : cinco contos situados (contos), 2008 Contrato sentimental (ensaio), 2009 A noite das mulheres cantoras (romance), 2011 O organista/The organist (conto), 2014 Os memoráveis (romance), 2014 Amor em Lobito Bay (contos), 2016 Estuário (romance), 2018 O livro das tréguas (poesia), 2019 Em todos os sentidos (crónicas), 2020 Misericórdia (romance), 2022 Prémios ao Autor Prémio FIL Guadalajara, 2020 Tributo de Consagração Fundação Inês de Castro, 2019 Prémio Vergílio Ferreira, 2015 Prémio Luso-Espanhol Arte Cultura, 2014 Prémio da Latinidade «João Neves da Fontoura», 2011 Grande Prémio SPA/Millennium BCP Carreira, 2007 Prémio Máxima de Literatura, 1999 Prémios à Obra Prémio Literário de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues, 2023 (Misericórdia) Prémio Literário Fernando Namora, 2023 (Misericórdia) Prémio PEN Clube Português de Narrativa, 2023 (Misericórdia) Prix Médicis Étranger, 2023 (Misericórdia) Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB, 2022 (Misericórdia) Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários APE/Câmara Municipal de Loulé, 2021 (Em todos os sentidos) Grande Prémio de Literatura dst, 2019 (Estuário) Prémio Literário de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues, 2015 (Os memoráveis) Prémio Charles Bisset, da Associação Francesa de Psiquiatria, 2008 (Combateremos a sombra) Prémio de Literatura Albatroz, da Fundação Günter Grass, 2005 (O vento assobiando nas gruas) Prémio do Público do Salão de Literatura Europeia, 2005 (O vento assobiando nas gruas) Prémio Literário Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa, 2004 (O vento assobiando nas gruas) Grande Prémio de Romance e Novela APE/DGLAB, 2002 (O vento assobiando nas gruas) Prix Jean Monnet de Littérature Européenne, 2000 (O vale da paixão) Prémio PEN Clube Português de Narrativa, 1999 (O vale da paixão) Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, 1998 (O vale da paixão) Prémio D. Diniz, 1998 (O vale da paixão) Prémio Bordalo de Literatura da Casa da Imprensa, 1995 (O Jardim sem limites) Prémio Literário Município de Lisboa, 1984 (Notícia da Cidade Silvestre) Prémio Literário Município de Lisboa, 1982 (O Cais das Merendas) Prémio Ricardo Malheiros, 1980 (O dia dos prodígios) Fonte: http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=8085 José Afonso Luís de Camões Imprimir 16 Please login or register to post comments.